Alexandre Frota

‘Xerife Da Noite’, Alexandre Frota Põe Mão No Fogo Por Força-Tarefa, Pede Impeachment De ‘Ex-Mito’ E Se Arrepende De Tretas: ‘Cego’

Entre o Frota e o de Andrade, Alexandre poderia ter a palavra "polêmica" como um dos seus sobrenomes. E ele raramente foge de uma. Pelo contrário, ele gosta de fazer barulho.

Alexandre Frota presta queixa na polícia contra modelo flagrada em festa ilegal em SP

Se hoje tem a simpatia de uma enorme parte da população, preocupada com os números alarmantes de mortes pela Covid-19, o deputado federal (PSDB/SP) eleito com 156 mil votos em 2018, ganhou inimigos que o ameaçam de morte diariamente. “Eu não tenho medo. Vou continuar fazendo meu trabalho que é o de proteger a população. Sei que estou mexendo com uma cadeia que alimenta a noite, o vendedor de droga, de bebida falsificada, o empresário que não tem alvará, o que explora prostitutas, os policiais que ganham algum para isso… Eu gostaria que o título dessa entrevista fosse a fala do Capitão Nascimento, em “Tropa de elite”: ‘O sistema é f…’, mas sei que não dá pelo palavrão. Só que isso sintetiza bem o que vivemos no país”, argumenta ele, que defende “seu pessoal” (policiais, advogados, profissionais da saúde, do Procon e dos bombeiros que integram as blitzes diárias) batendo no peito: “A força-tarefa é incorruptível. Boto minha mão no fogo por quem está comigo. O governador de SP nos chama de ‘Os intocáveis'”.

Na realidade, Frota é uma espécie de xerife da balada. E gosta de se sentir assim. E por mais inacreditável que possa parecer, ele se mantém calmo e pacífico a cada operação que faz. Mesmo que seja xingado, como ocorreu no fim de semana passado, ao comandar a batida numa festa chique em que estava a modelo Liziane Gutierrez, que desacatou Frota e mandou a polícia “para a favela”. “Eu nem tinha visto essa senhora. Mas nosso cinegrafista, que grava todas as operações, me disse depois que tinha uma socialite alterada e que xingou vários dos nossos. Foi aí que soube. Mas nem imaginava que ela tivesse alguma fama”, conta.

Ele se lembra, porém, de quando flagrou Gabigol e MC Gui num cassino clandestino. “O lugar era algo inacreditável. Só para entrar, tivemos que estourar duas portas blindadas. Quando chegamos lá dentro, sem brincadeira, parecia Las Vegas. Foi um corre danado. Um pagodeiro bem famoso vazou e deixou a amante, peguete, sei lá, para trás. Gabigol se escondeu embaixo de uma mesa num dos camarotes. Foi autuado, levado para a delegacia onde pagou R$ 110 mil de multa. Pode ser qualquer um. Não tem jeitinho, Não tem conversa”, garante.

Dez pedidos de impeachment contra seu ex-mito

Quem diria que um propósito em comum e social uniria Alexandre Frota e a esquerda, alvo de seus ataques mais agressivos na corrida presidencial há três anos, quando defendia cegamente Jair Bolsonaro? Um dos maiores arrependimentos que ele tem na vida, garante. E são bem poucos. “O bolsonarismo te cega. Eu acreditei de verdade que o Jair fosse combater a corrupção. Eu botava esse homem no meu carro quando ele vinha para São Paulo, porque ele temia ser morto pelo PT. Nos trajetos, a gente conversava muito, e ele dizia o que iria fazer. Em dois anos e meio, além de não fazer nada, esse ladrão safado, só faz esconder as falcatruas do filho e estar metido em vários esquemas. Ele será engolido pelo sistema”, ataca ele, que tem dez pedidos de impeachment protocolados para tirar seu antigo mito do poder.

Se antes transitavam juntos, hoje não os convide para a mesma mesa com café e pão com leite condensado. Frota quer levar João Dória à presidência. “Se não for ele, voto em qualquer um para ganhar desse cretino. Se for o Dória, será no Dória. Se for o Ciro (Gomes) será nele, se for o Lula, será no Lula”, promete.